A profissional destacou, entre outras questões, a memória e a contemporaneidade no trabalho do restauro.
Fotos: Dudu Leal
A arquiteta e urbanista portuguesa Maria Manuel Lobo Pinto de Oliveira participou de um bate papo sobre patrimônio e restauro no IAB RS. Durante o encontro, a profissional destacou importantes trabalhos realizados em sua carreira, entre eles o restauro de edificações como o Centro Histórico de Guimarães, em Portugal. O encontro integrou a programação das Quartas no IAB.
Participam da mesa o professor do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR/UFRGS), Eber Marzulo; a arquiteta e urbanista e professora do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (MUSPA/UFRGS), Luisa Durán; e o arquiteto e urbanista e Superintendente do IPHAN no Estado do Rio Grande do Sul (IPHAN-RS), Rafael Passos.
Marzulo relembrou que houveram duas tentativas de trabalhar com Maria Manuel, ambas interrompidas pelo contexto da época (o impeachment da presidenta Dilma em 2016 e a pandemia, em 2020. “Agora enfim estamos aqui. Conseguimos fazer uma pequena tour pela cidade e mostrar para ela algumas edificações para ela ter noção das questões patrimoniais que nos dizem respeito e os problemas recentes, absurdamente atuais, da relação entre patrimônio e a crise climática”, disse.
Maria Manuel agradeceu o convite para estar em Porto Alegre, mencionando a dificuldade em concretizar a visita por anos, e agradeceu a visita feita ao bairro Santa Teresa no dia anterior. “A apresentação abordará dois projetos: um urbano e complexo, construído em 2012, e outro em um convento franciscano, construído recentemente”, adiantou.
Ao longo de sua apresentação, Maria Manuel explicou: “entendo que o projeto e a investigação se desenvolvem juntos, alimentando-se mutuamente. Um não vive sem o outro. Em certos momentos, a investigação se intensifica; em outros, é o desenho. São processos que se intercalam e evoluem em conjunto. Quando discutimos memória e contemporaneidade, falamos tanto do tempo presente, em que atuamos, quanto do tempo longo, do lugar e do edifício que estudamos”, disse.
A arquiteta destacou que assume uma posição crítica, conceitual e ideológica sobre o lugar e seu significado. “Tomamos partido ao decidir e desenhar. Precisamos também de condições práticas: tempo, recursos, equipe adequada, porque cada projeto é único”. Ainda segundo ela, estruturar os objetivos é parte essencial do trabalho do arquiteto, e discuti-los com o cliente é crucial, “pois nosso conhecimento pode esclarecer o que realmente se pretende. Ao lidar com o patrimônio, a história e a memória, reconheço que esses valores não são dados fixos ou universais – são interpretações construídas”, afirmou.
O Superintendente do IPHAN-RS, Rafael Passos, ressaltou questões pertinentes sobre a realidade brasileira. “Vivemos no Brasil, onde a defesa do patrimônio passa por reafirmar sua importância. É necessário formar profissionais; arquitetos, biólogos, pessoas preparadas para atuar nesse campo. É preciso abrir espaço, criar mercado, investir. Desde que entrei no IPHAN, venho lidando com essa complexidade. Não sou um arquiteto restaurador, venho da questão urbana, e entendo o patrimônio como parte viva da cidade. Como arquiteto, vejo o quanto precisamos estar atentos, abertos, e trabalhar lado a lado com outras áreas no dia a dia”, finaliza.
















