{"id":2124,"date":"2023-08-16T18:36:39","date_gmt":"2023-08-16T18:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/veraz.com.br\/pepevargas\/?p=2124"},"modified":"2023-08-28T18:37:22","modified_gmt":"2023-08-28T18:37:22","slug":"audiencia-debate-habilitacao-de-ambulatorios-de-saude-da-populacao-transgenero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/pepevargas\/2023\/08\/16\/audiencia-debate-habilitacao-de-ambulatorios-de-saude-da-populacao-transgenero\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia debate Habilita\u00e7\u00e3o de Ambulat\u00f3rios de Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Transg\u00eanero"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-foo\">O Brasil possui cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas transg\u00eaneras ou n\u00e3o bin\u00e1rias, segundo IBGE (2020), cuja expectativa de vida \u00e9 de 35 anos, conforme dossi\u00ea Assassinatos e Viol\u00eancia Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, elaborado pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra). Os dados foram debatidos durante a Audi\u00eancia P\u00fablica sobre a habilita\u00e7\u00e3o de Ambulat\u00f3rios de Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Transg\u00eanero, nesta manh\u00e3 de quarta-feira (16\/08), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O debate foi proposto pelo deputado estadual Pepe Vargas, na Comiss\u00e3o de Sa\u00fade e Meio Ambiente. Segundo a Secretaria Estadual de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul existem 15 centros especializados. No entanto, relatos apresentados das Associa\u00e7\u00f5es e Organiza\u00e7\u00f5es de Defesa dos Direitos das Pessoas Trans, os ambulat\u00f3rios n\u00e3o est\u00e3o fazendo a dispensa dos medicamentos e tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o sendo oferecidos nas farm\u00e1cias do Estado. \u201cO alto custo destes medicamentos no mercado levam \u00e0 descontinuidade do tratamento, acarretando problemas de sa\u00fade f\u00edsica, mental e emocional a esta popula\u00e7\u00e3o\u201d, lamentou o deputado Pepe Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-a3jc8\">Na an\u00e1lise do deputado Pepe Vargas, a execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas devem ser coordenadas pelos Estados em parceria com os munic\u00edpios e estabelecimentos de sa\u00fade. Pepe destacou que h\u00e1 muito o que percorrer para assegurar os direitos da popula\u00e7\u00e3o Trans. Essa luta levou o estado brasileiro \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o Trans, por\u00e9m foram descontinuadas e, em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, praticamente extintas nos \u00faltimos governos. O parlamentar apontou que, em m\u00e9dia, o tempo de espera para uma consulta especializada pela popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero \u00e9 de 2 mil dias, ou seja, cerca de 5 anos. \u201cH\u00e1 tempo de espera para todos, mas o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade mental e transexualizador \u00e9 disparado o maior tempo de espera. Os gestores precisam ter um olhar espec\u00edfico\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-belib\">A presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul &#8211; Igualdade, Marcelly Malta, confirmou o longo tempo de espera no SUS. \u201cH\u00e1 casos de espera de mais de oito anos por uma mastectomia\u201d, afirmou. Marcelly destacou a falta de sensibilidade e preparo dos profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade para atender a popula\u00e7\u00e3o Trans. \u201cRecebemos reclama\u00e7\u00f5es, todos os dias, das travestis discriminadas em postos de sa\u00fade e no pr\u00f3prio ambulat\u00f3rio trans, ou deixando de ser atendidas\u201d, revelou. Para a presidente da Igualdade, a abertura do Ambulat\u00f3rio Trans em Porto Alegre foi uma conquista, no entanto, precisa ser aprimorada e expandida. Ela defendeu a regionaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, para atender popula\u00e7\u00e3o do interior. Al\u00e9m disso, destacou a necessidade de habilitar novos hospitais para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento cir\u00fargico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-drpmh\">Inara Beatriz Ruas, vice-presidente do Conselho Estadual de Sa\u00fade, apontou um avan\u00e7o t\u00edmido nos \u00faltimos anos. \u201cMas o acesso j\u00e1 \u00e9 negado pela falta de acolhimento que se d\u00e1 j\u00e1 na chegada ao servi\u00e7o de sa\u00fade\u201d. Hoje no Estado s\u00e3o sete macrorregi\u00f5es, 30 regi\u00f5es de sa\u00fade e 18 coordenadorias. \u201cInfelizmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter um ambulat\u00f3rio trans nos 497 munic\u00edpios, mas \u00e9 preciso que pelo menos se tenha nas regi\u00f5es de sa\u00fade ou no m\u00ednimo nas sete macrorregi\u00f5es\u201d, defendeu. Inara tamb\u00e9m lembrou que a expectativa de vida dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa. \u201c\u00c9 revoltante porque \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o mais submetida a viol\u00eancia que eu conhe\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-e2qmp\">A conselheira estadual LGBT, Cleo Araujo, criticou o fato da segunda maior cidade do Estado, Caxias do Sul, n\u00e3o abrigar um ambulat\u00f3rio Trans, o que leva a busca pelos servi\u00e7os em Porto Alegre. \u201cNossos direitos, expressos na carta dos usu\u00e1rios do SUS, s\u00e3o negados. Desde 2017 s\u00e3o 42 pessoas aguardando o in\u00edcio do tratamento hormonal, fase que leva 2 anos\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-eelst\">A boa not\u00edcia anunciada por Cleo \u00e9 que o ambulat\u00f3rio de Caxias do Sul est\u00e1 para sair do papel, mas gra\u00e7as a recursos de emendas parlamentares. \u201cDevia ser uma pol\u00edtica p\u00fablica de Estado e n\u00e3o depender de recursos de emendas\u201d, criticou. Cleo ainda \u201cprop\u00f4s\u201d a universaliza\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o SUS, respeitando o nome social, a dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos nas Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade para hormonoterapia, habilita\u00e7\u00e3o de ambulat\u00f3rios ao n\u00edvel de estado e munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-64r98\">Profissional da sa\u00fade, a enfermeira e representante do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs), Bruna Engelmann demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a falta de empatia dos profissionais da sa\u00fade no acolhimento da popula\u00e7\u00e3o Trans. Ela acredita que a aus\u00eancia de uma forma\u00e7\u00e3o humanista e orientadora neste sentido seja um complicador. \u201cN\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel um Ambulat\u00f3rio Trans em todos os munic\u00edpios, mas as pessoas merecem ser atendidas com dignidade, n\u00f3s sabemos, por exemplo, as rea\u00e7\u00f5es causadas pelos medicamentos, o que exige uma equipe que d\u00ea suporte emocional e psicol\u00f3gico\u201d, garantiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-aj6g8\">O diretor estadual da Diversidade Sexua do Rio Grande do Sul, Daniel Silva Morethson, revelou que hoje existe uma coordenadoria sem or\u00e7amento, mas que procura avan\u00e7ar em pol\u00edticas p\u00fabicas. \u201cConta com seis pessoas. Viemos avan\u00e7ando, plantando uma semente. Sempre debatemos e de fato agora n\u00f3s fazemos pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, disse. Morethson destacou os avan\u00e7os como a cria\u00e7\u00e3o da delegacia de combate \u00e0 intoler\u00e2ncia, o decreto que cria a rede de prote\u00e7\u00e3o, com pacto em cidadania, fazendo com que os munic\u00edpios adiram \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e tamb\u00e9m esclarecendo que o Rio Grande \u00e9 o primeiro estado a criar cotas para a popula\u00e7\u00e3o de travestis e transexuais no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-c0orr\">O conselheiro do Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos LGBT, Caio Klein, da ONG SOMOS, ressaltou que o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o Trans vai al\u00e9m do processo transexualizador. \u201cOs Ambulat\u00f3rios s\u00e3o espa\u00e7os essenciais, mas \u00e9 primordial a inclus\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o na Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica\u201d, disse. Klein sugeriu habilitar novos ambulat\u00f3rios no interior, fortalecer a pol\u00edticas de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT e estimular a cria\u00e7\u00e3o de um protocolo de hormoniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-frhqv\">Mulher trans, de corpo pol\u00edtico travesti, a vereadora Regininha do munic\u00edpio Rio Grande, apontou avan\u00e7os nos cuidados da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o trans, mas destacou a necessidade de habilita\u00e7\u00e3o de mais hospitais para realiza\u00e7\u00e3o de procedimentos cir\u00fargicos, a garantia do atendimento permanente e a conclus\u00e3o de todas as etapas do processo de transi\u00e7\u00e3o. \u201cQuando iniciamos o ambulat\u00f3rio municipal, em 2018, recebemos uma mulher Trans, do munic\u00edpio de Vit\u00f3ria, que consulta no Hospital de Cl\u00ednicas, e na fase final do tratamento recebeu a negativa da cirurgia e o que a levou a automutila\u00e7\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-aj173\">J\u00e1 o coordenador t\u00e9cnico da ONG Aids no Rio Grande do Sul, Rubens Raffo, solicitou um olhar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o Trans idosa, com a cria\u00e7\u00e3o de programas e pol\u00edticas p\u00fablicas para eles. \u201cN\u00e3o casas de apoio para essa popula\u00e7\u00e3o, muitas vezes obrigadas a regredir na sua identidade, negar a sua sexualidade, para serem aceitas em lares\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"viewer-femq5\">A audi\u00eancia, conduzida pelo presidente da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade e Meio Ambiente, Neri o Carteiro, contou ainda com a presen\u00e7a da deputada Luciana Genro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil possui cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas transg\u00eaneras ou n\u00e3o bin\u00e1rias, segundo IBGE (2020), cuja expectativa de vida \u00e9 de 35 anos, conforme dossi\u00ea Assassinatos e Viol\u00eancia Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, elaborado pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra). 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