{"id":9973,"date":"2014-04-15T00:00:00","date_gmt":"2014-04-15T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/torcendo-pelo-brasil\/"},"modified":"2025-09-22T16:14:40","modified_gmt":"2025-09-22T19:14:40","slug":"torcendo-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/torcendo-pelo-brasil\/","title":{"rendered":"TORCENDO PELO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>Apita o &aacute;rbitro. Come&ccedil;a a Copa do Mundo. Estamos todos torcendo para o Brasil, para que jogue bem e que ganhe a Copa. Estamos torcendo, mas n&atilde;o queremos ganhar de qualquer jeito, n&atilde;o queremos depender apenas da sorte ou da ajuda do juiz, do corpo mole dos advers&aacute;rios ou de mudan&ccedil;as de regras no meio do jogo&#8230; Futebol &eacute; assim: ganhar de 1&#215;0 jogando bem e fazendo um gol de placa &eacute; muito diferente de ganhar de 1&#215;0 com gol de canela, impedido, com as cal&ccedil;as na m&atilde;o e a torcida vaiando&#8230; Entretanto, o fato de nosso time n&atilde;o jogar bem, nunca foi motivo para trocar de time. Pelo contr&aacute;rio, &eacute; motivo para participar mais, exigir mais empenho e dedica&ccedil;&atilde;o dos dirigentes, treinador e jogadores, ir para o campo apoiar o time para que ele se recupere e n&atilde;o siga perdendo. Ambas vit&oacute;rias valem os 3 pontos, mas ser&aacute; que &eacute; s&oacute; isto que est&aacute; em jogo nesta Copa?<\/p>\n<p>Metaforicamente, esta &eacute; exatamente a nossa posi&ccedil;&atilde;o &ndash; como profissionais e como entidade &ndash; com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Copa do Mundo no Brasil e ao seu dito legado. Com a aproxima&ccedil;&atilde;o dos jogos parece haver uma exig&ecirc;ncia para que todos &ndash; pessoas e entidades &ndash; se posicionem &ldquo;contra&rdquo; ou &ldquo;a favor&rdquo; da Copa. Esta simplifica&ccedil;&atilde;o esconde a verdadeira discuss&atilde;o que exige uma postura mais inteligente e construtiva. &Eacute; claro que, enquanto brasileiros, somos a favor da Copa do Mundo no Brasil. Por outro lado, tamb&eacute;m &eacute; fato que o IAB e os arquitetos e urbanistas n&atilde;o podem estar a favor de todas as indec&ecirc;ncias que est&atilde;o sendo feitas, em nome da Copa, pela Fifa e por alguns governos e empresas.<\/p>\n<p>Nas sociedades capitalistas e globalizadas, a realiza&ccedil;&atilde;o dos grandes eventos &eacute; uma converg&ecirc;ncia de oportunidades econ&ocirc;micas que favorecem a concentra&ccedil;&atilde;o de investimentos financeiros para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma grande quantidade de obras sobre um mesmo territ&oacute;rio em um per&iacute;odo de tempo relativamente curto. Este fen&ocirc;meno &eacute; bastante criticado, mas tamb&eacute;m pode produzir efeitos ben&eacute;ficos para a cidade e sua popula&ccedil;&atilde;o, dependendo de como s&atilde;o determinados e controlados os seus processos. Obviamente, se o interesse p&uacute;blico est&aacute;, na hierarquia de decis&otilde;es, acima dos interesses privados a probabilidade de bons resultados &eacute; muito maior. Por exemplo, os novos est&aacute;dios constru&iacute;dos para a Copa s&atilde;o obras maravilhosas, uma goleada de arquitetura de qualidade, mas consolidam uma bola na trave que &eacute; a elitiza&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;dios a partir da &ldquo;shoppiniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; e do aumento dos pre&ccedil;os dos ingressos que tem exclu&iacute;do o pov&atilde;o das arquibancadas. E tem tamb&eacute;m, muito gol contra: superfaturamento de obras, promiscuidade nos financiamentos p&uacute;blicos, falta de contrapartidas urbanas para os entornos dos est&aacute;dios, remo&ccedil;&otilde;es de popula&ccedil;&atilde;o para obras vi&aacute;rias exageradas que, invariavelmente, seguem privilegiando o autom&oacute;vel privado&#8230;<\/p>\n<p>FOI A COPA QUE TROUXE ESTAS &ldquo;NOVIDADES&rdquo;?<\/p>\n<p>Neste sentido, propomos uma reflex&atilde;o: estas indec&ecirc;ncias que est&atilde;o sendo feitas em nome da Copa s&atilde;o novidades ou apenas estamos assistindo uma concentra&ccedil;&atilde;o e potencializa&ccedil;&atilde;o do modo de fazer impregnado em nossa cultura pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica? No Brasil, os superfaturamentos s&atilde;o uma pr&aacute;tica corrente nas grandes obras de engenharia e infraestrutura ou apenas agora, na Copa, est&aacute; sendo assim? A Copa &eacute; que est&aacute; impondo a prioridade para as fara&ocirc;nicas obras vi&aacute;rias sobre os direitos &agrave; moradia e sobre as &aacute;reas verdes? Alguma vez em nossa hist&oacute;ria construir e melhorar escolas e hospitais foi realmente uma prioridade sobre as obras de asfalto e viadutos?<br \/>\nRaras vezes o poder p&uacute;blico tem conseguido atuar em nome do interesse comum e da maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Em geral, os interesses de grupos econ&ocirc;micos poderosos se apropriam das esferas p&uacute;blicas administrativas para coloc&aacute;-las ao seu servi&ccedil;o, fen&ocirc;meno conhecido como &ldquo;privatiza&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo;. Porque na Copa seria diferente?<\/p>\n<p>P&ecirc;nalti!<\/p>\n<p>Em nosso entendimento, a Copa apenas est&aacute; escancarando a forma como tratamos nossas cidades e as obras p&uacute;blicas: descaso com o planejamento; cultura do improviso e do jeitinho; burocracia absurda; obras contratadas sem projeto completo, mal detalhadas e or&ccedil;adas; falta de concursos p&uacute;blicos; irresponsabilidade dos administradores; falta de participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o&#8230; Enfim, o &ldquo;modo de fazer&rdquo; das obras da Copa n&atilde;o nos oferece grandes novidades como legado.<\/p>\n<p>Os jogadores ainda nem entraram em campo e o espet&aacute;culo que estamos assistindo &eacute; uma oportunidade na qual o Brasil n&atilde;o jogou nada bem. Est&aacute; claro que repetimos erros hist&oacute;ricos e j&aacute; conhecidos. Agora nos resta torcer e, se o Brasil n&atilde;o for campe&atilde;o, pelo menos que o campe&atilde;o seja o time que jogar melhor, mostrar mais qualidade em campo, encantar pela efici&ecirc;ncia e beleza de seu jogo. Como se diz &ldquo;que ven&ccedil;a o melhor&rdquo;. De qualquer maneira, o futuro campe&atilde;o do mundo de futebol n&atilde;o depende de n&oacute;s e da nossa vontade e n&atilde;o podemos influir nem um pouco neste resultado.<\/p>\n<p>Por outro lado, de nada adianta ficarmos apenas torcendo pelas cidades brasileiras, precisamos entrar em campo porque este jogo est&aacute; sendo jogado e estamos perdendo de goleada. Estamos na terceira divis&atilde;o deste campeonato e o resultado disto n&atilde;o &eacute; apenas uma tristeza moment&acirc;nea pela derrota de nosso time, &eacute; muito mais grave, porque afeta diariamente nossa qualidade de vida. Se temos a pretens&atilde;o de um dia sermos campe&otilde;es, teremos que escolher muito melhor nossos cartolas e treinadores, fazer com que as regras do jogo sejam cumpridas por todos e, certamente, entrar em campo e alterar a t&aacute;tica de jogo completamente.<\/p>\n<p>QUAL O LEGADO, AFINAL?<\/p>\n<p>Nossa responsabilidade, enquanto profissionais e como entidade, &eacute; aproveitar a Copa para tentar fazer com que seu verdadeiro legado seja um ensinamento para n&oacute;s e para toda a popula&ccedil;&atilde;o. Este ensinamento passa principalmente por esclarecer &agrave; todos a import&acirc;ncia do planejamento e dos bons projetos urbanos e arquitet&ocirc;nicos.<\/p>\n<p>Na nossa posi&ccedil;&atilde;o, de arquitetos e urbanistas do IAB, &eacute; isto que estamos procurando fazer quando criamos o Conselho de Arquitetura e Urbanismo; quando lutamos por mais Concursos P&uacute;blicos para obras p&uacute;blicas; quando defendemos projetos completos detalhados nas licita&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas; quando exigimos transpar&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o; quando promovemos a dimens&atilde;o cultural da arquitetura na sociedade; quando criamos uma lei que garante &agrave;s fam&iacute;lias de baixa renda o acesso ao trabalho do arquiteto; quando insistimos que o planejamento e um bom projeto &eacute; o melhor caminho para a verdadeira solu&ccedil;&atilde;o de um problema e para a constru&ccedil;&atilde;o de uma cidade mais justa e sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>Que o legado desta Copa seja a li&ccedil;&atilde;o de que sem planejamento e sem bons projetos n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&atilde;o para nossas cidades. Esta &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o dos arquitetos e urbanistas, estamos em campo para qualificar as cidades e seguimos torcendo pelo Brasil.<\/p>\n<p>\nDiretoria do IAB RS<br \/>\nAbril de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Holzmann da Silva<\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-9973","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9973"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11135,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9973\/revisions\/11135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}