{"id":10760,"date":"2018-09-03T00:00:00","date_gmt":"2018-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/a-irreparavel-perda-do-museu-nacional\/"},"modified":"2025-09-22T16:02:07","modified_gmt":"2025-09-22T19:02:07","slug":"a-irreparavel-perda-do-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/a-irreparavel-perda-do-museu-nacional\/","title":{"rendered":"A irrepar\u00e1vel perda do Museu Nacional"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\tO Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), cumprindo sua miss&atilde;o de contribuir para o desenvolvimento t&eacute;cnico-cient&iacute;fico e sociocultural do pa&iacute;s e para a preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural nacional, lamenta profundamente pela perda irrepar&aacute;vel do Museu Nacional, institui&ccedil;&atilde;o central da cultura e da ci&ecirc;ncia brasileiras localizada no bairro de S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o, no Rio de Janeiro, que ardeu em chamas na noite do &uacute;ltimo dia 02 de setembro.<\/p>\n<p>\tO inc&ecirc;ndio da Quinta da Boa Vista n&atilde;o somente deixou em ru&iacute;nas um conjunto arquitet&ocirc;nico declarado patrim&ocirc;nio nacional, mas tamb&eacute;m destruiu milh&otilde;es de pe&ccedil;as e documentos hist&oacute;ricos pertencentes ao seu acervo, que estavam entre os mais representativos da hist&oacute;ria brasileira, de relev&acirc;ncia mundial. Trata-se, portanto, de uma perda irrevers&iacute;vel, que est&aacute; sendo lamentada por todos que se preocupam com a cultura e a mem&oacute;ria brasileiras, no pa&iacute;s e no exterior.<\/p>\n<p>\tA destrui&ccedil;&atilde;o do Museu Nacional, no ano em que completa 200 anos de funda&ccedil;&atilde;o e 80 anos de tombamento, &eacute; resultado da expressiva redu&ccedil;&atilde;o, observada nos &uacute;ltimos anos, nos investimentos em cultura, educa&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia. Os problemas decorrentes da escassez de recursos para sua manuten&ccedil;&atilde;o eram amplamente conhecidos, tendo sido objeto, nos &uacute;ltimos anos, de diversas mat&eacute;rias publicadas pela imprensa nacional. Um or&ccedil;amento de menos de 14 mil reais mensais para a manuten&ccedil;&atilde;o de um equipamento dessa import&acirc;ncia &eacute; representativo da aus&ecirc;ncia de compreens&atilde;o da sua import&acirc;ncia para a hist&oacute;ria, a cultura e as ci&ecirc;ncias brasileiras. Demonstra ainda a escassa aplica&ccedil;&atilde;o de recursos no custeio das pol&iacute;ticas culturais e cient&iacute;ficas, um cen&aacute;rio que tende a se agravar com medidas de austeridade que congelam investimentos nestes setores pelas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>\tApesar da exist&ecirc;ncia, h&aacute; 81 anos, de institui&ccedil;&otilde;es e leis voltadas &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural nacional, a efetiva salvaguarda dos nossos bens culturais esteve sempre limitada pelos reduzidos recursos humanos e econ&ocirc;micos destinados a essas a&ccedil;&otilde;es. O Museu Nacional, por exemplo, n&atilde;o dispunha das instala&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para prevenir e combater inc&ecirc;ndios, que certamente teriam levado o recente incidente a um outro desfecho, menos traum&aacute;tico.<\/p>\n<p>\tPara denunciar o abandono ao qual o patrim&ocirc;nio cultural brasileiro encontra-se relegado, o IAB e institui&ccedil;&otilde;es parceiras promoveram, h&aacute; pouco mais de duas semanas, um &ldquo;abra&ccedil;o ao patrim&ocirc;nio&rdquo;, que envolveu centenas de pessoas em 27 localidades de 13 Estados, de Presidente Figueiredo, no Amazonas, a Santana do Livramento, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai.<\/p>\n<p>\t&Eacute; preciso aprender nos momentos de crise. O Centro Hist&oacute;rico de Quito, primeiro s&iacute;tio urbano do mundo a ser inscrito na Lista do Patrim&ocirc;nio Mundial da Unesco, foi atingido por um terremoto devastador em mar&ccedil;o de 1987; no final do mesmo ano, aproveitando a como&ccedil;&atilde;o nacional provocada pela destrui&ccedil;&atilde;o, foi criado no Equador o &quot;Fundo de Salvamento do Patrim&ocirc;nio Cultural&quot;, que instituiu a mais exitosa experi&ecirc;ncia de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio urbano na Am&eacute;rica Latina, refer&ecirc;ncia nos &uacute;ltimos trinta anos ao garantir os recursos necess&aacute;rios para a preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria nacional equatoriana<\/p>\n<p>\tFrente &agrave; perda do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, o IAB conclama a sociedade e as institui&ccedil;&otilde;es preocupadas com a preserva&ccedil;&atilde;o da nossa cultura e da nossa mem&oacute;ria a exigir da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e do Congresso Nacional a imediata cria&ccedil;&atilde;o de um fundo permanente, gerido pelo IPHAN e pelo IBRAM, que garanta a manuten&ccedil;&atilde;o dos museus nacionais e a preserva&ccedil;&atilde;o do nosso patrim&ocirc;nio cultural, independentemente dos interesses pol&iacute;ticos de cada momento.<\/p>\n<p>\tDo mesmo modo, devemos exigir dos candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia e ao Congresso Nacional que se comprometam com a cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o desse fundo. Recentemente, o IAB e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU\/BR) divulgaram a &ldquo;Carta Aberta dos Arquitetos e Urbanistas aos Candidatos nas Elei&ccedil;&otilde;es de 2018 pelo Direito &agrave; Cidade&rdquo;, que j&aacute; apresenta propostas neste sentido e que est&aacute; sendo entregue aos candidatos de todos os partidos, em todo o Brasil. A proposta de cria&ccedil;&atilde;o de um fundo permanente de preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural vem detalhar essas propostas.<\/p>\n<p>\tSalvador, 03 de setembro de 2018<\/p>\n<p>\tNivaldo Vieira de Andrade Junior<br \/>\n\tPresidente Nacional do IAB<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nivaldo Vieira de Andrade Junior &#8211; Presidente Nacional do IAB<\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":10761,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10760"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11098,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10760\/revisions\/11098"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}