{"id":10719,"date":"2018-04-20T00:00:00","date_gmt":"2018-04-20T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/curto-medio-e-longo-prazo\/"},"modified":"2025-09-22T16:02:07","modified_gmt":"2025-09-22T19:02:07","slug":"curto-medio-e-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/curto-medio-e-longo-prazo\/","title":{"rendered":"Curto, m\u00e9dio e longo prazo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\tEstamos presenciando transforma&ccedil;&otilde;es no mundo atual. Reformas sociais, inova&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, descobertas hist&oacute;rias, evolu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, entre outras. No entanto, indicadores que medem a qualidade de vida t&ecirc;m apresentado dados preocupantes: as pessoas n&atilde;o est&atilde;o felizes. Avan&ccedil;amos em muitos setores da vida, mas n&atilde;o estamos sendo eficazes em transformar estes avan&ccedil;os em valor agregado capaz de nos permitir uma vida tranquila. Fatores essenciais como acesso ao trabalho, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a est&atilde;o distantes da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\tMuitos destes avan&ccedil;os &#8211; pelo menos em escalas relativas &#8211; tem nos tirado da linha de risco da fome, doen&ccedil;as e guerras, mas este texto n&atilde;o trata destes avan&ccedil;os em grande escala. Trata da escala do dia a dia e do cotidiano das pessoas, onde a concorr&ecirc;ncia, a velocidade das coisas e as decis&otilde;es urgentes, tem nos mantido alertas num clima de aparente tens&atilde;o e medo.<\/p>\n<p>\tEnquanto divulgamos e festejamos a implanta&ccedil;&atilde;o e a crescente produ&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria 4.0, o desemprego cresce de forma alarmante, deixando sem ter o que fazer grande parte da capacidade humana de produ&ccedil;&atilde;o. O custo social deste fen&ocirc;meno precisa ser mensurado com a mesma efici&ecirc;ncia com que o mercado de a&ccedil;&otilde;es comemora seus grandes resultados. Estamos presenciando &iacute;ndices de desigualdade social capazes de nos levar a conflitos civis de grande escala, como temos presenciado em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\tA velocidade de processar dados digitais e projetar cen&aacute;rios virtuais deveria nos alertar para a import&acirc;ncia de n&atilde;o vivermos na velocidade dos computadores, como se tudo fosse urgente, invertendo valores e transgredindo o bom senso, mas planejar com conhecimento de causa e consequ&ecirc;ncia as nossas a&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dio e longo prazo, buscando acesso b&aacute;sico &agrave;quilo que agrega qualidade de vida &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Vivemos um momento de produ&ccedil;&atilde;o cultural acr&iacute;tica, bombardeados por muita informa&ccedil;&atilde;o, falsa e verdadeira, no entanto nunca produzimos t&atilde;o pouco conhecimento capaz de nos tirar da zona de urg&ecirc;ncia. &Eacute; o paradoxo da tecnologia digital: quanto mais geramos e acumulamos dados, menos sabemos como transformar estas informa&ccedil;&otilde;es em conhecimento. E &eacute; o conhecimento o vetor capaz de nos fazer avan&ccedil;ar na defini&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es de qualidade de vida.<\/p>\n<p>\tN&atilde;o s&atilde;o as ferramentas digitais, enquanto processadores matem&aacute;ticos, que agregar&atilde;o qualidade ao conhecimento. Poder&atilde;o acelerar o cruzamento de informa&ccedil;&otilde;es e modelar novos padr&otilde;es de vida, mas sempre ser&aacute; preciso que algu&eacute;m interprete, traduza e transforme estas informa&ccedil;&otilde;es em conhecimento alinhado com as verdadeiras demandas da sociedade que estamos inseridos. A caneta sobre o papel nas empresas, o giz sobre o quadro verde na sala de aula ou o l&aacute;pis de carpinteiro riscando uma parede no canteiro de obras, s&atilde;o suficientes para se expressar uma ideia inovadora e empreendedora, quando se tem uma verdadeira ideia.<\/p>\n<p>\tInova&ccedil;&atilde;o, empreendedorismo e sustentabilidade se tornaram ferramentas de propaganda da sociedade atual. Mas elas n&atilde;o nascem em qualquer lugar, &eacute; preciso que o caminho esteja pavimentado com foco, investimento e cultura experimental. Para acertar em cheio &eacute; preciso experimentar muito. A experimenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; no cerne dos processos criativos inovadores e empreendedores. Experimentar exige autonomia e coragem e, por isso, &eacute; a base dos grandes acertos e das ideias inovadoras, e isto tem muito valor no mercado atual ou no mundo criativo compartilhado.<\/p><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n\tTemos a tend&ecirc;ncia superficial para acharmos que a genialidade de uma grande ideia &eacute; fruto do instant&acirc;neo m&aacute;gico e veloz de uma &uacute;nica mente privilegiada. Quando fazemos isso, seja por conforto ou para explicar uma poss&iacute;vel falta de atitude, damos as costas para o processo coletivo, compartilhado, cont&iacute;nuo e repetitivo das tantas experimenta&ccedil;&otilde;es e erros que vieram antes do acerto e que deram ao acerto o ambiente prop&iacute;cio para sua inven&ccedil;&atilde;o. Ser inovador, criativo e empreendedor n&atilde;o s&atilde;o o resultado de a&ccedil;&otilde;es urgentes, isoladas, instant&acirc;neas, m&aacute;gicos ou divinas. S&atilde;o o resultado de foco, planejamento e muito trabalho s&eacute;rio na busca de um objetivo e de uma solu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\tAs demandas urgentes que possu&iacute;mos como povo, sociedade e na&ccedil;&atilde;o n&atilde;odevem ser tratadas com abordagens superficiais de curto prazo, por mais midi&aacute;ticos que possam parecer os seus efeitos, mas com a&ccedil;&otilde;es maduras de planejamentocriativo, inovador e empreendedor antevendo a qualidade de vida que queremos ter eo planeta em que queremos viver. Distanciar o olhar para esta realidade significa nos condenar a viver continuamente, d&eacute;cada ap&oacute;s d&eacute;cada, usando as nossas melhores energias intelectuais e produtivas apenas para consertar a nossa pr&oacute;pria falta de a&ccedil;&atilde;o e vis&atilde;o atuais e a falta de planejamento estrat&eacute;gico das gera&ccedil;&otilde;es que nos antecederam.<br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n\tPlanejar aprendendo com nossos erros e acertos j&aacute; seria um bom caminho para os nossos gestores. N&atilde;o se faz o novo negando os grandes acertos ou atropelando as experi&ecirc;ncias comprovadamente eficazes. Temos visto muito desta pr&aacute;tica na gest&atilde;o do pa&iacute;s, empresas e universidades. O jovem n&atilde;o &eacute; garantia de inova&ccedil;&atilde;o, a velocidade n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de efici&ecirc;ncia, o novo n&atilde;o &eacute; indicador de qualidade e a tecnologia n&atilde;o &eacute; condi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para os avan&ccedil;os do conhecimento. Claro que &eacute; preciso resolver muita coisa com brevidade, mas resolver com urg&ecirc;ncia o hoje, apenas cobre superficialmente os buracos do ontem, enquanto que a sociedade necessita de uma revis&atilde;o dos seus c&oacute;digos de conviv&ecirc;ncia, de uma reformula&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e moral capaz de pavimentar com inova&ccedil;&atilde;o a sociedade do amanh&atilde;.<br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n\tTemos que reinventar o nosso esp&iacute;rito solid&aacute;rio de grupo. Vivemos em um planeta digital conectados em rede, mas nunca nos comunicamos t&atilde;o pouco e estivemos t&atilde;o s&oacute;s e isolados. Uma das qualidades que fizeram da esp&eacute;cie humana uma das mais bem sucedidas entre as demais foi a capacidade de agir e reagir colaborativamente com seus pares. Portanto, menos risco e tens&atilde;o. Menos urg&ecirc;ncia e decis&otilde;es superficiais. Mais seriedade e planejamento estrat&eacute;gico de m&eacute;dio e longo prazo para a vida.<\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">\n\t<em><strong>Paulo Ricardo Bregatto (bregatto@bregatto.com.br | bregatto@gmail.com | bregatto.blogspot.com | @bregatto). Arquiteto e urbanista (Ulbra, 1988), especialista em planejamento urbano e habitacional (Ulbra, 1989). Mestre em arquitetura (Propar \/ Ufrgs, 1996), professor nos cursos de arquitetura e urbanismo da Ulbra e PucRS, conselheiro titular do CAU-RS, membro do conselho superior do Iab-RS, desenvolve pr&aacute;tica privada no escrit&oacute;rio BREGATTO arquitetos Ltda<\/strong><\/em>.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Ricardo Bregatto <\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":10720,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10719"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10719\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11100,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10719\/revisions\/11100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}