{"id":10503,"date":"2016-12-19T00:00:00","date_gmt":"2016-12-19T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/discurso-de-posse-de-rafael-passos-presidente-do-iab-rs\/"},"modified":"2025-09-22T16:14:21","modified_gmt":"2025-09-22T19:14:21","slug":"discurso-de-posse-de-rafael-passos-presidente-do-iab-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/discurso-de-posse-de-rafael-passos-presidente-do-iab-rs\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse de Rafael Passos, presidente do IAB RS"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\tEm nome de todos os eleitos para a gest&atilde;o do Departamento do IAB RS, cumprimento os colegas arquitetos e arquitetas presentes, os eleitos e eleitas para a pr&oacute;xima gest&atilde;o do SAERGS, autoridades, amigos, amigas e familiares presentes; aos homenageados e premiados do dia, em especial aos familiares do colega Roberto Py, que liderou os primeiros passos de nosso Conselho, nossos mais sinceros agradecimentos.<br \/>\n\tNeste momento se inicia um novo ciclo de trabalho para nossa entidade, com novos colegas se agregando &agrave;queles que j&aacute; v&ecirc;m atuando conosco. Outros trocam de fun&ccedil;&otilde;es. Tomam posse n&atilde;o s&oacute; os Conselhos Diretor, Superior e Estadual, mas novos n&uacute;cleos, inst&acirc;ncias locais do IAB no interior do Estado, hoje ampliados para doze, o que representa um importante crescimento. A eles, nosso agradecimento e votos de uma atua&ccedil;&atilde;o firme no &acirc;mbito local, e participativa junto ao Departamento. Contem conosco.<br \/>\n\tN&atilde;o falarei das a&ccedil;&otilde;es planejadas para a pr&oacute;xima gest&atilde;o. Esta est&aacute; expressa na Plataforma proposta, a qual est&aacute; publicada no site e no mural do IAB.<br \/>\n\tDurante esta gest&atilde;o o IAB completar&aacute; 70 anos. Septuagen&aacute;ria entidade que a partir da arquitetura vem contribuindo para o desenvolvimento social, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico do Estado e do pa&iacute;s. Ao longo de todas estas d&eacute;cadas o IAB alcan&ccedil;ou um not&aacute;vel reconhecimento e hoje j&aacute; n&atilde;o pertence mais somente aos arquitetos, mas &eacute; patrim&ocirc;nio de toda a sociedade. Esta posi&ccedil;&atilde;o foi conquistada por todos aqueles que at&eacute; hoje contribu&iacute;ram com o IAB, profissionais abnegados na defesa da profiss&atilde;o, da arquitetura e do urbanismo, das cidades, da cultura. &Eacute; respaldada nos princ&iacute;pios da independ&ecirc;ncia e da democracia, que sempre nortearam sua atua&ccedil;&atilde;o. O IAB teve destacada lideran&ccedil;a nos momentos mais dif&iacute;ceis da Na&ccedil;&atilde;o, em especial durante o Regime Militar, quando, de forma solid&aacute;ria, abrigou tantos cidad&atilde;os e coletividades proibidas de se reunir e se organizar em torno de suas causas e pares.<br \/>\n\tImposs&iacute;vel n&atilde;o fazermos aqui refer&ecirc;ncia a colegas como Miguel Pereira, Telmo Magadan, Demetrio e Enilda Ribeiro, Danilo Land&oacute;, Carlos Maximiliano Fayet, Albano Volkmer, entre tantos outros, que com sua enorme generosidade e esp&iacute;rito coletivo lideraram esta entidade. Em especial, destacamos o papel do Professor Albano, que soube abrir os caminhos para uma nova gera&ccedil;&atilde;o de profissionais e estudantes, representada pelos colegas Iran Rosa, Carlos Alberto Sant&rsquo;Anna e Tiago Holzmann, aqueles que lideraram os passos seguintes do IAB.<br \/>\n\tNeste contexto, a gest&atilde;o que se inicia hoje &eacute; um novo ciclo, na qual novos arquitetos e arquitetas se integram &agrave;queles. S&atilde;o colegas que iniciaram sua participa&ccedil;&atilde;o na entidade j&aacute; nesse contexto, j&aacute; nesta Casa, o Solar do IAB, ainda estudantes, no movimento estudantil, na organiza&ccedil;&atilde;o dos acampamentos do Forum Social Mundial, h&aacute; 15 anos atr&aacute;s. Do Conselho Diretor ao Conselho Estadual, a diversidade de perfis e trajet&oacute;rias &eacute; a marca desta gest&atilde;o: juventude e experi&ecirc;ncia, pluralidade de pensamento, amplitude de &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o se integram para uma a&ccedil;&atilde;o conjunta. Na nova Diretoria, com nova estrutura, temos 2 ex-diretores gerais da FENEA &ndash; a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Estudantes de Arquitetura &ndash; ex-coordenadores de Centros Acad&ecirc;micos, profissionais de projeto e obra, de patrim&ocirc;nio, de planejamento urbano, atuantes nos setores privado e p&uacute;blico e no terceiro setor.<br \/>\n\tA atual conjuntura pol&iacute;tica do pa&iacute;s aflige a todos. A expectativa de um futuro promissor parece cada vez mais dif&iacute;cil. Den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ordem do dia nas pautas jornal&iacute;sticas. A descren&ccedil;a no mundo pol&iacute;tico, contudo, n&atilde;o pode ser lida como a demoniza&ccedil;&atilde;o de tudo o que &eacute; p&uacute;blico, nem daquelas pessoas e entidades que se mobilizam na luta reivindicativa pelas causas coletivas. Este &eacute; um caminho perigoso, sobretudo num pa&iacute;s sem uma tradi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica s&oacute;lida, pa&iacute;s que sofre &ldquo;trope&ccedil;os na democracia&rdquo; a cada 20 ou 30 anos de sua vida Republicana. Tal quadro, lamentavelmente, tem servido para reduzir o debate pol&iacute;tico nacional a uma hip&oacute;crita disputa entre corruptos e n&atilde;o corruptos, ou pior, a redu&ccedil;&atilde;o da coisa p&uacute;blica ao lugar de todos os v&iacute;cios, e que o privado &eacute; o lugar das virtudes. Ora, uma leitura menos apaixonada permitiria reconhecer que &eacute; justamente os v&iacute;cios humanos em ambos os campos que est&atilde;o sendo escancaradas. N&atilde;o basta, portanto, reivindicarmos a &eacute;tica e a moralidade na coisa p&uacute;blica, mas tamb&eacute;m no campo da vida privada, do mercado produtivo e financeiro.<br \/>\n\tAs cidades t&ecirc;m sido cada vez mais o lugar da especula&ccedil;&atilde;o do capital financeiro, e quem questiona tal fato &eacute; taxado como defensor do atraso, &eacute; pintado de vermelho e animalizado, quando n&atilde;o sofre na carne a viol&ecirc;ncia estatal que reprime a reivindica&ccedil;&atilde;o por direitos. A dicotomia &eacute; usada como estrat&eacute;gia de desinforma&ccedil;&atilde;o, em que reivindicar a cidade como direito, ou seja, como lugar do desenvolvimento social, da qualidade de vida, e da autonomia social &eacute; ser contra o desenvolvimento econ&ocirc;mico.<br \/>\n\tO IAB &eacute; uma entidade de arquitetos, que em sua maioria atuam na cadeia produtiva da constru&ccedil;&atilde;o civil. Somos formados, contudo, para produzir espa&ccedil;os de conv&iacute;vio humano, de rela&ccedil;&atilde;o harm&ocirc;nica com o meio natural, onde o desenvolvimento econ&ocirc;mico &eacute; meio, e n&atilde;o um fim em si mesmo, para promover o desenvolvimento humano.<br \/>\n\tJorge Wilheim chamou de &ldquo;a m&atilde;o escondida&rdquo;, em uma alus&atilde;o &agrave; m&atilde;o invis&iacute;vel de Adam Smith, aquela que produz arquitetura med&iacute;ocre, que por sua vez reproduz uma cidade med&iacute;ocre. A produ&ccedil;&atilde;o de nosso habitat, dos edif&iacute;cios &agrave;s cidades, foi entregue a categorias profissionais e empreendedores que n&atilde;o veem a cidade, mas apenas o lote, que n&atilde;o valorizam a arquitetura, muito menos urbanismo ou planejamento urbano, mas a despeito disso imp&otilde;em aos arquitetos os programas, dimens&otilde;es e formas. Demetrio Ribeiro, ent&atilde;o Presidente do IAB Nacional, j&aacute; alertava para tal perigo, frente &agrave; emin&ecirc;ncia da funda&ccedil;&atilde;o de um Conselho para a profiss&atilde;o que transforma habitat em frios n&uacute;meros. Confinam espa&ccedil;os em planilhas e desvalorizam cada vez mais o importante trabalho do arquiteto, o projetista do espa&ccedil;o, o construtor da forma de viver na casa e na cidade. O poder p&uacute;blico parece seguir o mesmo caminho. A participa&ccedil;&atilde;o dos profissionais no planejamento urbano em Porto Alegre, que j&aacute; foi um exemplo para o Brasil, hoje est&aacute; entregue &agrave;s entidades representativas da &ldquo;m&atilde;o escondida&rdquo;, assim como os cargos m&aacute;ximos do planejamento urbano, ou ent&atilde;o do urbanismo.<br \/>\n\tE o que fazem as entidades de arquitetos, perguntava Wilheim? N&atilde;o posso responder por todas, mas estou certo de que o IAB RS jamais se calou frente a tal fen&ocirc;meno. E o IAB RS segue este caminho: de propor uma cadeia produtiva limpa, justa e &eacute;tica; de debater e lutar pela cidade, pela arquitetura e pela cultura como direito social t&atilde;o b&aacute;sico quanto todos os demais. Da unidade habitacional &agrave; paisagem urbana como patrim&ocirc;nio de todos, passando pelo uso livre e franco dos equipamentos e dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos das cidades para todos os cidad&atilde;os.<br \/>\n\tA necess&aacute;ria valoriza&ccedil;&atilde;o da arquitetura e urbanismo e do trabalho do arquiteto &eacute; tamb&eacute;m econ&ocirc;mica, pela reinvindica&ccedil;&atilde;o de honor&aacute;rios mais justos, mas sobretudo se faz pela retomada de um protagonismo perdido na produ&ccedil;&atilde;o do ambiente constru&iacute;do, tanto na esfera p&uacute;blica quanto na privada. Os bons exemplos est&atilde;o a&iacute;, apesar das circunst&acirc;ncias adversas, mas a transforma&ccedil;&atilde;o na escala que os profissionais e a sociedade precisam, s&oacute; se dar&aacute; atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o coletiva. Assim, a atua&ccedil;&atilde;o integrada das diferentes entidades de arquitetos &eacute; fundamental, mas tamb&eacute;m insuficiente.<br \/>\n\tA valoriza&ccedil;&atilde;o da arquitetura e urbanismo, e por consequ&ecirc;ncia, de seus profissionais, s&oacute; se dar&aacute;, portanto, se os mais amplos setores da sociedade reconhec&ecirc;-la como componente essencial da vida coletiva e individual.<br \/>\n\tNeste sentido, entendemos que somente a organiza&ccedil;&atilde;o social, e a atua&ccedil;&atilde;o articulada com os movimentos sociais que reivindicam a cidade como direito, atrav&eacute;s do enfrentamento e do di&aacute;logo ser&atilde;o capazes de promover os avan&ccedil;os necess&aacute;rios n&atilde;o s&oacute; para a valoriza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, mas tamb&eacute;m para o desenvolvimento do pa&iacute;s de car&aacute;ter distributivo, visando &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades socioespaciais que marcam a cartografia das cidades brasileiras.<br \/>\n\tPor fim, firmamos aqui e publicamente o compromisso da Gest&atilde;o Cidade Movimento com os princ&iacute;pios de independ&ecirc;ncia frente a partidos ou governos, que sempre marcaram o IAB. Neste sentido, penso ser necess&aacute;rio expressar, a fim de evitar qualquer especula&ccedil;&atilde;o, que eu (assim como outro colegas desta gest&atilde;o) n&atilde;o tenho qualquer filia&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, e mesmo que tivesse, minha trajet&oacute;ria sempre esteve alinhada aos princ&iacute;pios da independ&ecirc;ncia e autonomia da sociedade civil.<br \/>\n\tO excelente trabalho de lideran&ccedil;a do Tiago Holzmann fica evidenciado pelo fato de que a metade da nova Diretoria &eacute; composta por membros que dar&atilde;o sequ&ecirc;ncia ao trabalho. Obrigado, Tiago. Aproveito para te convidar a manter-se pr&oacute;ximo a n&oacute;s durante os pr&oacute;ximos 3 anos, nos aconselhando, j&aacute; que os &uacute;ltimos 5 foram f&aacute;ceis.<br \/>\n\tAgradecemos a presen&ccedil;a de todos, e contamos com a parceria, participa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s junto ao IAB, que, asseguramos, prosseguir&aacute; seu caminho de combatividade, sim, mas sem jamais se fechar ao di&aacute;logo franco e aberto com todos os setores da sociedade e do poder p&uacute;blico do Estado do Rio Grande do Sul.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael Passos<\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":10504,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10503"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11111,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10503\/revisions\/11111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}