{"id":10385,"date":"2016-07-06T00:00:00","date_gmt":"2016-07-06T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/planos-diretores-precisam-ter-a-abrangencia-de-seus-conteudos-amplificada\/"},"modified":"2025-09-22T16:14:21","modified_gmt":"2025-09-22T19:14:21","slug":"planos-diretores-precisam-ter-a-abrangencia-de-seus-conteudos-amplificada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/planos-diretores-precisam-ter-a-abrangencia-de-seus-conteudos-amplificada\/","title":{"rendered":"Planos diretores precisam ter a abrang\u00eancia de seus conte\u00fados amplificada?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\tA proposta em tramita&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do Projeto de Lei do Senado 667\/ 2015 sugere alterar reda&ccedil;&atilde;o do artigo 40 do Estatuto da Cidade definindo Plano Diretor como instrumento de desenvolvimento humano, econ&ocirc;mico e social das cidades brasileiras, devendo estabelecer obrigatoriamente par&acirc;metros para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a p&uacute;blica, transportes e habita&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n\tPlanos diretores precisam ter a abrang&ecirc;ncia de seus conte&uacute;dos amplificada? Passemos a algumas considera&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n\tNo passado, em diferentes momentos, os planos diretores foram ora planos de embelezamento ou de melhoramentos, ora, e de maneira predominante, planos diretores f&iacute;sico-territoriais com &ecirc;nfase na regula&ccedil;&atilde;o da propriedade privada da cidade formal.<br \/>\n\tDesde os anos 50 e 60 do s&eacute;culo passado at&eacute; hoje, j&aacute; como instrumentos legais cada vez mais completos e complexos, passaram a se estruturar como planos de desenvolvimento integrado, como planos de desenvolvimento urbano ou ainda como planos estrat&eacute;gicos com caracter&iacute;sticas diferenciadas em diversos locais. Entre os de primeira e os de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o cada vez mais conte&uacute;dos passaram a fazer parte dos documentos legais.<br \/>\n\tH&aacute; quase 30 anos, atrav&eacute;s de dois artigos (182 e 183), a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 consolida, de forma inovadora, um cap&iacute;tulo espec&iacute;fico sobre Pol&iacute;tica Urbana. O objetivo? Ordenar o pleno desenvolvimento das fun&ccedil;&otilde;es sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.<br \/>\n\tNeste contexto, o plano diretor, obrigat&oacute;rio para cidades com mais de vinte mil habitantes, passou a ser definido como o instrumento b&aacute;sico da pol&iacute;tica de desenvolvimento e de expans&atilde;o urbana. A no&ccedil;&atilde;o de cumprimento da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade urbana, aspecto de suma import&acirc;ncia, quando se discute o papel dos planos diretores fica ent&atilde;o associada ao atendimento das exig&ecirc;ncias fundamentais de ordena&ccedil;&atilde;o da cidade expressas no plano diretor.<br \/>\n\tNa continuidade, em 2001, o Estatuto da Cidade regulamenta as disposi&ccedil;&otilde;es dos artigos 182 e 183 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, define princ&iacute;pios, apresenta um elenco de diretrizes e legitima uma s&eacute;rie de instrumentos discutidos durante muitos anos junto &agrave; sociedade. Da mesma forma introduz um capitulo especial sobre o Plano Diretor e seus conte&uacute;dos m&iacute;nimos.<br \/>\n\tNa vig&ecirc;ncia do Estatuto da Cidade, pelo menos tr&ecirc;s grandes grupos de instrumentos potencializam uma pol&iacute;tica urbana de car&aacute;ter municipal com vistas ao alcance de cidades sustent&aacute;veis para as atuais e as futuras gera&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n\tNum primeiro grupo, os instrumentos de indu&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento urbano tais como o IPTU Progressivo no Tempo, as Opera&ccedil;&otilde;es Urbanas Consorciadas e o Direito de Preemp&ccedil;&atilde;o evidenciam possibilidades de avan&ccedil;ar para a implementa&ccedil;&atilde;o do projeto de cidade previsto no plano diretor, ele pr&oacute;prio o principal instrumento de indu&ccedil;&atilde;o; num segundo grupo, os instrumentos de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, com destaque para as &Aacute;reas ou Zonas Especiais de Interesse Social, trazem a oportunidade de tratar de forma particular os territ&oacute;rios de interesse para a qualifica&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica habitacional municipal inclusiva e por fim, num terceiro grupo, os instrumentos de gest&atilde;o democr&aacute;tica tais como os &oacute;rg&atilde;os e os colegiados de pol&iacute;tica urbana e as confer&ecirc;ncias municipais, identificam aspectos a observar na montagem de sistemas de planejamento, participativos por pressuposto.<br \/>\n\tUtilizados isoladamente ou numa vis&atilde;o integrada estes instrumentos constituem a &ldquo;caixa de ferramentas&rdquo; que contribui para o alcance das diretrizes expressas no artigo 2&ordm; do Estatuto da Cidade fortalecendo tamb&eacute;m o expresso no Cap&iacute;tulo sobre o Plano Diretor entre os artigos 39 e 42 do Estatuto da Cidade.<br \/>\n\tO Plano Diretor, refor&ccedil;ado pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e pelo Estatuto da Cidade representa, portanto, um novo patamar para o planejamento das cidades.<br \/>\n\tEm 2003, a cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Cidades, enfrenta, entre tantos desafios, o &ldquo;fazer avan&ccedil;ar&rdquo; em todo o pa&iacute;s, a formula&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o de planos diretores municipais. Atrav&eacute;s de grande campanha se trabalhou no sentido de atender ao prazo de cinco anos para que se alcan&ccedil;assem resultados. Estava definida a etapa de elabora&ccedil;&atilde;o-revis&atilde;o de planos diretores, agora participativos.<br \/>\n\tFindo o per&iacute;odo, em 2008, um primeiro Balan&ccedil;o Cr&iacute;tico dos Planos P&oacute;s-Estatuto da Cidade &eacute; iniciado atrav&eacute;s de conv&ecirc;nio entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade do Rio de Janeiro e o Minist&eacute;rio das Cidades- Secretaria de Programas Urbanos. Mediante pesquisa foram avaliados mais de 500 munic&iacute;pios brasileiros. Somente no Rio Grande do Sul quarenta e dois munic&iacute;pios de diferentes escalas espaciais e padr&otilde;es de concentra&ccedil;&atilde;o populacional fizeram parte deste trabalho.<br \/>\n\tO resultado mostra, de maneira geral, a fragilidade de um grande n&uacute;mero de munic&iacute;pios, entre os que possuem mais de 20000 habitantes, para viabilizar a implementa&ccedil;&atilde;o de seus planos diretores segundo um rol de temas selecionados quais sejam: acesso &agrave; terra urbanizada, pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o, saneamento ambiental, pol&iacute;tica de mobilidade urbana, dimens&atilde;o ambiental nos planos diretores, quest&atilde;o metropolitana e quest&atilde;o sistema de gest&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.<br \/>\n\tNem bem se atingiu a totalidade dos munic&iacute;pios com obrigatoriedade de formular seus planos e mudan&ccedil;as no Estatuto da Cidade j&aacute; se multiplicam em diversos projetos de lei a n&iacute;vel federal.<br \/>\n\tNeste momento, h&aacute; de se reconhecer os esfor&ccedil;os realizados no processo que vem se estendendo desde antes de 1988 e tra&ccedil;ar uma estrat&eacute;gia compat&iacute;vel para avan&ccedil;ar na dif&iacute;cil tarefa de transformar planos em instrumentos efetivos da pol&iacute;tica urbana. Se o primeiro esfor&ccedil;o foi pela elabora&ccedil;&atilde;o dos planos, os passos seguintes devem estar relacionados aos processos de regulamenta&ccedil;&atilde;o dos seus conte&uacute;dos e &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas de planejamento apoiados por sistemas de acompanhamento e monitoramento das realidades locais. Muitas s&atilde;o as quest&otilde;es a serem enfrentadas e h&aacute; de se respeitar a enorme diversidade de realidades do nosso pa&iacute;s.<br \/>\n\tDando ent&atilde;o uma resposta &agrave; pergunta expressa no t&iacute;tulo deste texto a palavra chave &eacute; N&Atilde;O. N&Atilde;O &eacute; conveniente jogar para dentro dos planos conte&uacute;dos que podem estar fora deles, de acordo com as condi&ccedil;&otilde;es de cada prefeitura municipal.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Tereza Fortini Albano<\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":10386,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10385"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11121,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10385\/revisions\/11121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}