{"id":10190,"date":"2015-08-28T00:00:00","date_gmt":"2015-08-28T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/quem-faz-arquitetura-afinal-o-engenheiro-ou-o-arquiteto\/"},"modified":"2025-09-22T16:14:40","modified_gmt":"2025-09-22T19:14:40","slug":"quem-faz-arquitetura-afinal-o-engenheiro-ou-o-arquiteto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/quem-faz-arquitetura-afinal-o-engenheiro-ou-o-arquiteto\/","title":{"rendered":"Quem faz arquitetura afinal, o engenheiro ou o arquiteto?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\t<strong>Quem faz arquitetura afinal, o engenheiro ou o arquiteto?<\/strong><\/p>\n<p>\tA confus&atilde;o deliberada sobre as atribui&ccedil;&otilde;es profissionais parece querer criar um ambiente belicoso entre categorias que historicamente atuam em conjunto e sintonia na constru&ccedil;&atilde;o de nossos edif&iacute;cios e cidades. Essa confus&atilde;o de vers&otilde;es n&atilde;o serve ao interesse dos profissionais arquitetos e engenheiros e n&atilde;o reflete a atua&ccedil;&atilde;o complementar destes profissionais no mercado. Ao nos depararmos com informa&ccedil;&otilde;es expressas &agrave; sociedade de forma parcial e incorreta, onde ouvimos brados de representantes de categorias como se verdadeiros fossem, cabe-nos expressar nossa manifesta&ccedil;&atilde;o sobre o of&iacute;cio do Arquiteto e Urbanista, da sua atribui&ccedil;&atilde;o profissional na elabora&ccedil;&atilde;o do projeto arquitet&ocirc;nico direito legal oriundo de quem realmente tem a forma&ccedil;&atilde;o, o conhecimento e a pr&aacute;tica da disciplina.<\/p>\n<p>\tA hist&oacute;ria referenda amplamente a posi&ccedil;&atilde;o do arquiteto como o profissional respons&aacute;vel pelo projeto, supervis&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de obras de arquitetura e, embora esta seja sua principal atividade, o campo de atua&ccedil;&atilde;o de um arquiteto envolve ainda diversas &aacute;reas correlatas ao desenho do espa&ccedil;o habitado, como o urbanismo, o paisagismo e o planejamento do territ&oacute;rio. Na maior parte dos pa&iacute;ses do mundo, a legisla&ccedil;&atilde;o, a sociedade, a economia e o mercado de trabalho exigem que para atuar em &aacute;reas de arquitetura se tenha um diploma de n&iacute;vel superior de arquiteto.<\/p>\n<p>\tA consolida&ccedil;&atilde;o do profissional arquiteto no Brasil se deu efetivamente com a consolida&ccedil;&atilde;o das escolas de arquitetura. Durante o s&eacute;culo XIX, a maior parte dos profissionais possu&iacute;a forma&ccedil;&atilde;o de engenheiro-arquiteto (figura profissional hist&oacute;rica, relacionada com a arquitetura ecl&eacute;tica). Arquitetos formados no contexto das escolas de Belas-Artes eram relativamente poucos, devido &agrave; atua&ccedil;&atilde;o isolada da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Durante a d&eacute;cada de 1930 a profiss&atilde;o passou por um primeiro momento de valoriza&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o dos Conselhos regionais de Engenharia e Arquitetura. A partir da d&eacute;cada de 1950 consolidam-se as escolas de arquitetura e urbanismo, cujos curr&iacute;culos eram influenciados pela arquitetura moderna, e elas se difundiram nas d&eacute;cadas seguintes. At&eacute; meados da d&eacute;cada de 1970 o arquiteto caracterizava-se essencialmente como profissional liberal, trabalhando em autonomia ou em sociedade em escrit&oacute;rios e ateli&ecirc;s. A partir deste momento houve um aumento do n&uacute;mero de profissionais que se tornam trabalhadores assalariados, envolvidos com o contexto do milagre econ&ocirc;mico, da burocracia estatal do Regime Militar e das grandes empresas de engenharia que foram criadas pelas novas demandas surgidas com os investimentos governamentais em infraestrutura. Nas d&eacute;cadas de 1980 e 90 surgiram tamb&eacute;m formas de atua&ccedil;&atilde;o relacionadas com cooperativas de arquitetos e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, assim como o aumento de empresas especializadas em arquitetura.<\/p>\n<p>\tHoje, a profiss&atilde;o de arquitetura no Brasil &eacute; regulada e fiscalizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU\/BR) e pelos conselhos regionais (CAUs), atrav&eacute;s da Lei Federal N&ordm; 12.378\/2010, legisla&ccedil;&atilde;o recente, moderna e adaptada &agrave;s exig&ecirc;ncias contempor&acirc;neas do mercado de trabalho e das atribui&ccedil;&otilde;es profissionais envolvidas. A promulga&ccedil;&atilde;o dessa lei deu-se ap&oacute;s um longo processo que consagrou o desejo dos arquitetos de sa&iacute;da do conselho m&uacute;ltiplo (Confea\/CREAs), que re&uacute;ne artificialmente v&aacute;rias profiss&otilde;es e interesses diversos e conflitantes e que j&aacute; n&atilde;o atendia ao conjunto dos arquitetos.<\/p>\n<p>\tAssim como a atividade profissional &eacute; regulamentada, tamb&eacute;m s&atilde;o os cursos superiores de Arquitetura e Urbanismo atrav&eacute;s do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. A Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o, ao criar as &quot;diretrizes curriculares&quot;, concede autonomia aos cursos para definirem o perfil do profissional que formar&atilde;o em cursos que se caracterizam por uma parte das disciplinas voltadas &agrave; &quot;simula&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da profiss&atilde;o&quot; que se d&aacute; atrav&eacute;s das disciplinas de projeto arquitet&ocirc;nico, uma parte &agrave; fundamenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-te&oacute;rica e outra &agrave;s disciplinas ligadas aos aspectos tecnol&oacute;gicos e complementares da atividade. A legisla&ccedil;&atilde;o determina uma divis&atilde;o baseada em disciplinas de fundamenta&ccedil;&atilde;o (composta por disciplinas nas &aacute;reas de est&eacute;tica, desenho, pl&aacute;stica, hist&oacute;ria, teoria, entre outras), de profissionaliza&ccedil;&atilde;o (composta por disciplinas de projeto, planejamento urbano, paisagismo, instala&ccedil;&otilde;es, constru&ccedil;&atilde;o civil, entre outras) e de o trabalho final de gradua&ccedil;&atilde;o, de natureza interdisciplinar.<\/p>\n<p>\tDiante dos fatos e argumentos apresentados aqui sobre a hist&oacute;ria, forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, legisla&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;tica profissional e reconhecimento da sociedade torna-se inadmiss&iacute;vel aceitar que &ldquo;projeto arquitet&ocirc;nico possa ser atribui&ccedil;&atilde;o legal de Engenheiros Civis&rdquo; como alguns CREAs t&ecirc;m disseminado. Deveriam, em vez de tentar confundir os profissionais e sociedade, estar buscando a atualiza&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o da Lei Federal 5194\/66, vigente h&aacute; quase 50 anos, que os tem transformado em &oacute;rg&atilde;os tecnocratas, pouco democr&aacute;ticos e ultrapassados, voltados para os interesses sua pr&oacute;pria burocracia e n&atilde;o atendendo satisfatoriamente as profiss&otilde;es ali reunidas e a sociedade.<\/p>\n<p>\tA defesa do projeto de arquitetura como atribui&ccedil;&atilde;o exclusiva dos arquitetos n&atilde;o se trata de campanha para desconsiderar os profissionais engenheiros no seu labor e qualifica&ccedil;&atilde;o, mas uma quest&atilde;o de respeito aos profissionais arquitetos, &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o e suas reais condi&ccedil;&otilde;es do exerc&iacute;cio respons&aacute;vel. Na pr&aacute;tica, a sociedade e o mercado de trabalho reconhecem a compet&ecirc;ncia de arquitetos e engenheiros e sua atua&ccedil;&atilde;o conjunta e complementar, contradizendo estas a&ccedil;&otilde;es obscuras que distorcem informa&ccedil;&otilde;es e fatos e impedindo o processo de evolu&ccedil;&atilde;o de nossa sociedade.<\/p>\n<p>\tDito isto, o IAB RS, que historicamente atua em prol dos arquitetos e da sociedade ga&uacute;cha, lembra a todos que <strong>&ldquo;quem faz Arquitetura &eacute; o profissional Arquiteto e Urbanista&rdquo;<\/strong>, e &ldquo;quem faz Engenharia &eacute; o profissional Engenheiro&rdquo; e isso n&atilde;o pode ser desdito de forma leviana, confundindo nossa sociedade que tanto anseia por projetos e obras competentes e de qualidade.<\/p>\n<p>\n\t<em>A Diretoria do&nbsp;IAB RS.<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IAB RS &#8211; Tiago Holzmann da Silva <\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10190","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10190"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10190\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11129,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10190\/revisions\/11129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}