{"id":10131,"date":"2015-04-25T00:00:00","date_gmt":"2015-04-25T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/iabrs.org.br\/um-projeto-de-cidade-para-pessoas\/"},"modified":"2025-09-22T16:14:40","modified_gmt":"2025-09-22T19:14:40","slug":"um-projeto-de-cidade-para-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/um-projeto-de-cidade-para-pessoas\/","title":{"rendered":"UM PROJETO DE CIDADE PARA PESSOAS"},"content":{"rendered":"<p>UM PROJETO DE CIDADE PARA PESSOAS<\/p>\n<p>Cidade para Pessoas &eacute; o t&iacute;tulo de um excelente livro do arquiteto dinamarques Jan Gehl, seguidor dos ensinamentos da jornalista Jane Jakobs que, nos anos 60, j&aacute; denunciava a desumaniza&ccedil;&atilde;o das grandes cidades. Ambos apontam para algumas das propostas que foram implantadas pela nossa convidada Janette Sadik-Khan nas suas experi&ecirc;ncias exitosas para come&ccedil;ar a transformar Nova York em uma cidade para pessoas, como Gehl j&aacute; havia feito com Copenhague.<br \/>\nCidade para Pessoas tamb&eacute;m &eacute; o jarg&atilde;o do momento. Assim como a tal sustentabilidade, Cidade para Pessoas virou frase feita e entrou na moda, correndo o risco de perder seu sentido revolucion&aacute;rio original. Repetida com insist&ecirc;ncia em diversos ambientes, Cidade para Pessoas j&aacute; virou discurso de pol&iacute;tico oportunista e est&aacute; servindo de maquiagem moderninha para as mesmas a&ccedil;&otilde;es equivocadas de sempre.<\/p>\n<p>Cidade para Pessoas mesmo, n&atilde;o &eacute; discurso, &eacute; atitude.<\/p>\n<p>Para come&ccedil;ar, Cidade para Pessoas exige que estas, as pessoas, sejam mais ouvidas e consultadas sobre o rumo de suas cidades, com um processo de participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tico e acess&iacute;vel a todos. Para que esta participa&ccedil;&atilde;o seja efetiva os gestores p&uacute;blicos &ndash; prefeitos, vereadores, administradores &ndash; tem que abdicar da parcialidade e das tradicionais facilidades aos seus financiadores de campanha e buscarem atuar como mediadores e conciliadores dos naturais conflitos entre os diversos grupos de pessoas que legitimamente t&ecirc;m interesses na cidade.<\/p>\n<p>Cidade para Pessoas exige que abandonemos o autom&oacute;vel como centro das decis&otilde;es de planejamento e &uacute;nico benefici&aacute;rio dos projetos urbanos. Cidade para Pessoas exige que tenhamos capacidade de compreender que asfalto, viadutos, autom&oacute;veis particulares&#8230; devem deixar de ser os protagonistas das cidades. Precisamos entender, por exemplo, que a inaugura&ccedil;&atilde;o de um viaduto estaiado de dois andares que j&aacute; nasce engarrafado &eacute; uma insensatez, um desperd&iacute;cio, uma vergonha, e n&atilde;o uma obra para o futuro da cidade.<\/p>\n<p>Os novos protagonistas da Cidade para Pessoas s&atilde;o as cal&ccedil;adas largas e bem pavimentadas e iluminadas, &eacute; o transporte coletivo de qualidade e as ciclovias, &eacute; o com&eacute;rcio de rua nos bairros, s&atilde;o as pra&ccedil;as e parques e espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia, &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o da paisagem e do patrim&ocirc;nio e, claro, as pessoas. Os moradores t&ecirc;m que ser os novos protagonistas da cidade. Esta nova Cidade para Pessoas exige planejamento de longo prazo e projetos de qualidade que devem enfrentar a cultura do improviso, do jeitinho e a ansiedade dos gestores p&uacute;blicos e privados pela inaugura&ccedil;&atilde;o do inacabado que faz uma obra sem projeto, apresasada e mal executada.<\/p>\n<p>Cidade para Pessoas exige um projeto, um Projeto de Cidade. Esta foi a contribui&ccedil;&atilde;o do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio Grande do Sul &ndash; IAB RS, que recentemente publicou um dec&aacute;logo, os &ldquo;10 pontos para um projeto de cidade&rdquo;, s&iacute;ntese das discuss&otilde;es hist&oacute;ricas dos arquitetos e do ac&uacute;mulo dos seus princ&iacute;pios e propostas para a cidade, que incorpora e amplia os conceitos citados. Ou seja, Cidade para Pessoas n&atilde;o &eacute; uma novidade para os arquitetos e recebemos estas experi&ecirc;ncias exitosas com um enorme cartaz de &ldquo;eu j&aacute; sabia&rdquo;.<\/p>\n<p>J&aacute; tivemos a oportunidade de assistir no Fronteiras do Pensamento a Manuel Castells, Zygmunt Bauman, Alain de Botton, Gro Harlem Brundtland, Marshall Berman, Enrique Pe&ntilde;alosa, e agora, em 2015, ouviremos Saskia Sassen e Richard Sennett, todos grandes pensadores da cidade contempor&acirc;nea. Conhecemos bem esta gente toda, s&atilde;o nossos gurus. Asssitiremos tamb&eacute;m a Janette Sadik-Khan com aten&ccedil;&atilde;o, para entender melhor seus ensinamentos e aprender com sua boa experi&ecirc;ncia de Nova York. E tamb&eacute;m vamos torcer para encontrar por l&aacute;, entre os ouvintes, nossos gestores p&uacute;blicos e investidores privados, esperando que estes tamb&eacute;m estejam atentos ao que a conferencista tem a dizer e comecem a compreender melhor e, principalmente, a praticar a Cidade para Pessoas &#8211; ou vamos precisar desenhar para que eles entendam!<\/p>\n<p>Tiago Holzmann da Silva &eacute; arquiteto e urbanista e presidente do IAB RS.<\/p>\n<p>(publicado no caderno Fronteiras do Pensamento, encartado em Zero Hora, em 25\/04\/2015)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Holzmann da Silva <\/p>\n","protected":false},"author":75245,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[40,43],"tags":[],"class_list":["post-10131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-editorial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75245"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10131"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11132,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10131\/revisions\/11132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/veraz.com.br\/iab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}