{"id":76235,"date":"2023-11-07T13:11:07","date_gmt":"2023-11-07T16:11:07","guid":{"rendered":"https:\/\/veraz.com.br\/app\/?p=76235"},"modified":"2023-11-07T13:16:42","modified_gmt":"2023-11-07T16:16:42","slug":"90-dosas-educadoresas-negros-ja-sofreram-racismo-na-escola-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/veraz.com.br\/app\/90-dosas-educadoresas-negros-ja-sofreram-racismo-na-escola-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"90% dos(as) educadores(as) negros j\u00e1 sofreram racismo na escola, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sete em cada dez educadores(as) brasileiros(as) dizem ter escutado piadas racistas em seu espa\u00e7o de trabalho, seja por parte de estudantes, professores(as) ou funcion\u00e1rios(as). O dado foi apresentado na pesquisa <\/span><a href=\"https:\/\/www.antirracista.queronaescola.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>&#8220;Sua Escola \u00c9 (Anti)racista?&#8221;<\/i><\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, realizada pela ONG Quero na Escola, de fevereiro a maio deste ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/veraz.com.br\/app\/receba-noticias-da-app-no-seu-whatsapp-ou-telegram\/\"><b><i>:: Receba not\u00edcias da APP por Whatsapp ou Telegram<\/i><\/b><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o, 624 educadores(as) participaram da pesquisa, que foi realizada de forma online e em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds. Do total, 69,9% dos(as) participantes afirmaram presenciar pr\u00e1ticas racistas em suas unidades de ensino. Os(as) educadores(as) apontam que 46% das intera\u00e7\u00f5es de cunho racistas foram perpetuadas por estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 sobre os sinais de \u00f3dio e s\u00edmbolos de cunho racistas, um total de 30,1% v\u00ea sinais de \u00f3dio e t\u00eam medo que algo ocorra em sua unidade e 28,5%, apesar de perceber amea\u00e7as, n\u00e3o t\u00eam medo. Neste recorte, a cor\/etnia das pessoas impactam nas respostas. Apenas 37,2% responderam que nunca perceberam qualquer sinal, sendo que a maioria destes(as) s\u00e3o pessoas brancas (41,2%).\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>Quando quem ensina \u00e9 v\u00edtima<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Questionados(as) sobre sofrer racismo no espa\u00e7o escolar, 23% dos(as) professores(as) apontam j\u00e1 ter sofrido algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o racial. Entre as pessoas declaradas pretas, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 assustadora, cerca de 90% j\u00e1 enfrentaram uma situa\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia, enquanto pessoas pardas apontam um \u00edndice de 39%. Para as pessoas que se declararam brancas, de forma coerente, esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal, mais de 90% nunca sofreu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Vale destacar que entre os(as) entrevistados(as), 30,4% se declararam negras, 20,5% pardas e 46,6% pessoas brancas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre os(as) educadores(as) que presenciaram alguma atitude racista, a maioria (40,9%) afirma que acha ofensivo e fala que n\u00e3o gostou, enquanto um percentual pr\u00f3ximo solicita que provid\u00eancias, como retrata\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica (38,6%), sejam tomadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa aponta ainda que os(as) educadores(as) encontram uma maior dificuldade em trabalhar temas relacionados \u00e0 ra\u00e7a\/etnia, sendo as principais o preconceito da comunidade, especialmente os(as) evang\u00e9licos(as), o isolamento dentro de suas unidades escolares e curr\u00edculos pr\u00e9-concebidos com pouca possibilidade de relacionar conte\u00fados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSou coordenadora e a minha maior dificuldade \u00e9 o sil\u00eancio dos interlocutores. Qualquer outro assunto, percebo que os professores buscam informa\u00e7\u00f5es e possibilidades para al\u00e9m das discuss\u00f5es. Quando o papo \u00e9 racismo, cultura africana, rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, o sil\u00eancio paira e infinitamente eu e mais uma pessoa somos as falas ativas das reuni\u00f5es\u201d, conta uma educadora em resposta \u00e0 pesquisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como forma de fortalecer neste debate, a ONG Quero na Escola disponibiliza para educadores(as) e pessoas envolvidas no processo educacional antirracista duas comunidades de WhatsApp onde \u00e9 compartilhado com o p\u00fablico conte\u00fados antirracistas e materiais que possam auxiliar na elabora\u00e7\u00e3o de planos de aula e a\u00e7\u00f5es nas escolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.antirracista.queronaescola.com.br\/materiais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>Confira o link aqui<\/i><\/b><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>\u00c9 preciso resistir para avan\u00e7ar<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Baseada no question\u00e1rio da ONG Quero na Escola, a professora Doutora Nailze Pereira de Azevedo Pazin, de Florian\u00f3polis, resolveu aplicar a pesquisa em sua unidade escolar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com apoio da dire\u00e7\u00e3o da Escola B\u00e1sica Municipal Beatriz de Souza Brito, a educadora aplicou as perguntas para avaliar como a equipe pedag\u00f3gica pode avan\u00e7ar para trabalhar o tema \u00e9tnico\/racial e certificar que o debate da pauta seja trabalhado de forma efetiva na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nailze aponta que al\u00e9m de garantir que educadores(as) tenham o letramento racial, \u00e9 preciso garantir que o curr\u00edculo das escolas seja descolonizado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s temos que descolonizar o curr\u00edculo e nos descolonizar, temos que pensar nas nossas forma\u00e7\u00f5es. Muitos(as) professores(as) n\u00e3o tiveram uma forma\u00e7\u00e3o adequada o suficiente para estar fazendo a sua pr\u00e1tica transformadora. Fazemos isso estudando, lendo autores(as) negros(as), se atualizando\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outro ponto que a doutora aponta como crucial para o avan\u00e7o da aplica\u00e7\u00e3o da <\/span><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>Lei 10.639\/03<\/i><\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do material did\u00e1tico. Segundo Nailze, \u00e9 importante que educadores(as) que j\u00e1 estejam produzindo seus materiais em suas unidades possam ter um apoio das secretarias de educa\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o de suas obras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 poss\u00edvel a gente pensar metodologias levando em considera\u00e7\u00e3o as diferentes realidades, as diferentes regi\u00f5es e acho que isso \u00e9 extremamente importante pensar dessa forma\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a Professora Doutora Maristela Campos, professora de Ingl\u00eas do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da UFSC e colaboradora no \u201cQuero na Escola\u201d refor\u00e7a que os(as) professores(as) devem se envolver no trabalho trazendo a quest\u00e3o \u00e9tnico-racial no seu dia a dia, n\u00e3o tratando do assunto apenas no Dia da Consci\u00eancia Negra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cH\u00e1 uma oferta interessante de materiais, de plataformas educacionais, de pesquisas e estudos na \u00e1rea dispon\u00edveis em sites especializados. Os clich\u00eas e estere\u00f3tipos se d\u00e3o principalmente nas redes sociais e estas n\u00e3o devem ser as \u00fanicas fontes de contato com a tem\u00e1tica. Outro ponto importante: todos os professores de uma unidade escolar devem estar envolvidos, assim como os t\u00e9cnicos, bibliotec\u00e1rios e os profissionais da manuten\u00e7\u00e3o, merenda e limpeza. A escola precisa reconhecer que todos os profissionais envolvidos fazem a educa\u00e7\u00e3o\u201d, pontua Maristela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Educadores(as) t\u00eam o poder de mudan\u00e7a<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em conson\u00e2ncia com as docentes, a secret\u00e1ria de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial e Combate ao Racismo da APP-Sindicato, Celina Wotkoski, entende que uma das principais formas de promover o debate racial na educa\u00e7\u00e3o e garantir que esse cen\u00e1rio mude \u00e9 fazendo valer a Lei 10.639\/03.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsta lei veio para que seja implementada dentro das escolas a cultura afrobrasileira e africana, a cultura antirracista. Temos que entender, aplicar e debater a lei entre nossos pares, para que possamos falar a mesma linguagem, garantindo que assim possamos abolir de vez piadas de cunho racista de nossas escolas\u201d, aponta a secret\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 urgente que todas as pessoas que trabalham na Educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes responsabilizem-se pela educa\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais e a tornem componente imprescind\u00edvel em seus planos de ensino. Que educadores e educadoras n\u00e3o negras observem o car\u00e1ter da lei e sua principal finalidade: a de construir uma sociedade mais justa para todos, n\u00e3o relegando o papel de enfrentamento somente aos educadores e \u00e0s educadoras negras da escola\u201d, finaliza a doutora Maristela Campos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sete em cada dez educadores(as) brasileiros(as) dizem ter escutado piadas racistas em seu espa\u00e7o de trabalho, seja por parte de estudantes, professores(as) ou funcion\u00e1rios(as). 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